Crase: por que complicam tanto??? (Parte 1)

O “acento indicativo de crase” é um dos maiores problemas dentro da gramática, pois é uma mistura de duas classes gramaticais: a preposição “a” e o artigo definido feminino “a”. Também é a mistura da preposição “a” com os pronomes demonstrativos “aquilo”, “aquele”, “aquela”, “aqueles”, “aquelas”. “Além disso, para a crase fazer sentido, é necessário saber o que é “regência verbal” e “regência nominal”. Por fim, um pouco mais fácil é entender que, na língua portuguesa, existem palavras do “gênero masculino” e palavras do “gênero feminino” (outras línguas possuem também palavras do “gênero neutro”, caso do alemão, por exemplo).

O fato de a crase ser complicada também tem a ver com a velha dicotomia (diferença) entre a língua falada e a língua escrita. A crase, nesse caso, não existe na língua falada, ninguém fala a crase, ela só existe na escrita. Ninguém diz: “Fui a, a craseado, praia”, a pessoa apenas diz “Fui A praia”, o “a”, com ou sem acento indicador de crase, é pronunciado igualmente (o correto aqui seria: “Fui à praia”, entendam esse “A” com um símbolo genérico). Se vocês pronunciarem “a” (primeira letra do alfabeto), “a” (artigo definido feminino), “a” (preposição), “à” (crase) e “há” (verbo haver), o som vai ser exatamente o mesmo. É por esse motivo que a confusão acontece. É muita coisa diferente com um mesmo som!

Para ficar mais fácil, vamos lhes passar um boa dica para compreender quando há e quando não há crase:

Passo 1: Definir se a palavra é masculina ou feminina. Na frase: “No final de semana, eu e minha família fomos A praia.”. Esse “A” deve ser craseado ou não? Vejamos: esse “A” aparece na frente da palavra “praia”. Essa palavra é masculina ou feminina? Para saber isso, é preciso perguntar (a pergunta é boba, praticamente todo falante sabe a resposta): dizemos “a praia” ou dizemos “o praia”? Se a resposta for “o praia”, não haverá crase de modo algum, e, também, possivelmente você fala outra língua que não é o português…

A resposta mais óbvia, que qualquer criança falante de português, mesmo que não tenha pisado ainda em uma escola, é capaz de responder, é: “dizemos ‘a praia’”. SE o artigo que aparece na frente da palavra é feminino, isso significa que a palavra é feminina. Na maioria das vezes, é muito fácil descobrir que a palavra é masculina por causa da sua terminação, pois, em geral, palavras que terminam em “a” são femininas e palavras que terminam em “o” são masculinas. Apesar de isso acontecer quase sempre, existem palavras que são terminadas em “m” (homem) e “r” (mulher). Aí você pode dizer: “é óbvio que homem é masculino e mulher é feminino, todo mundo sabe disso!”. Sim, os falantes de português aprendem isso bem cedo. Ninguém diria “a homem” e “o mulher”. Nesse caso, o gênero biológico tem a ver com o gênero gramatical, mas nem sempre isso ocorre. Com objetos, que não são nem macho nem fêmea, o raciocínio tem que ser o gramatical, o da colocação do artigo definido (ele se chama assim porque define o que vem depois). Artigos definidos masculinos são as palavras “o”, “os” e artigos definidos femininos são as palavras “a”, “as”. Então, como saber se as palavras lápis, telefone, pente, rocambole, xale, xadrez, berimbau, entre outras, são masculinas ou femininas? Ora, isso é simples, basta fazer o famigerado “teste do artigo”. Então, qual seria o correto?

O lápis ou A lápis?
O telefone ou A telefone?
O pente ou A pente?
O rocambole ou A rocambole?
O xale ou A xale?
O xadrez ou A xadrez?
O berimbau o A berimbau?

Palavras masculinas: o lápis, o telefone, o pente, o rocambole, o xale, o xadrez, o berimbau.
Palavras femininas: nessa lista, nenhuma!

A principal regra de crase é: “NA FRENTE DE PALAVRAS MASCULINAS NUNCA VAI CRASE”. Na frente de qualquer uma dessas palavras não poderia haver crase de jeito nenhum! Esse é o erro mais comum. Expressões como “andar a cavalo” e “tv a cabo” não têm crase porque dizemos “o cavalo” e “o cabo”. SE cavalo e cabo são palavras masculinas, a crase não pode aparecer antes delas. Entendeu?

Já uma palavra feminina tem grandes chances de ter uma crase na sua frente!

Falaremos mais sobre crase no próximo post!

Por que a Língua Portuguesa parece tão difícil?

Não é incomum escutarmos “português é tão difícil” vindo de… falantes de português! É quase uma unanimidade, no Brasil, dizer que português é uma língua difícil. Uma vez, conheci um holandês que falava seis idiomas, incluindo o português, que ele falava com perfeição, sem sotaque, como um brasileiro. Ele me disse que o português não era tão difícil, mas que havia uma dificuldade que o incomodava, uma dificuldade mais de ordem gramatical do que prática: a de que há regras, mas que, para cada regra, há muitas exceções.

Por que isso acontece? Por que há tantas regras com exceções? Continue lendo “Por que a Língua Portuguesa parece tão difícil?”

Revisão de texto não tem nada a ver com revisão ortográfica do Word!!

Dia desses, liguei para um concorrente aqui da minha região para saber o preço que eles (uma empresa) cobravam para formatação e revisão. Os preços eram iguais aos meus, entretanto, quando perguntei como eles faziam a revisão textual, ouvi, incrédulo: “A revisão é o Word quem faz”.

Fiquei abismado! Como assim o Word faz a revisão? Word faz revisão ortográfica, encontra, no máximo, uma palavra que esteja escrita errada. Muitas vezes o programa passa batido por palavras como “secretária” (quem tem secretariado e trabalha em uma secretaria) e “secretaria” (o local de trabalho). Geralmente ele nem marca a diferença, daí frases como “A secretaria trabalha na secretaria” ou “A secretária trabalha na secretária” ficam completamente loucas e sem sentido. Isso só para dar um exemplo.

Na questão de concordância nominal e verbal, em frases mais complexas, o Word nos dá, em geral, opções erradas. O Word não faz revisão textual e, menos ainda, copidesque (reescrita de trechos confusos ou obscuros). Assim como o Google Tradutor não traduz como um tradutor de verdade, o Word não revisa como um revisor de verdade. Ainda que a tecnologia esteja bastante avançada, tanto o trabalho do revisor, quanto do tradutor, a máquina AINDA não consegue fazer.

Então, não caiam no engodo da revisão pelo Word, porque, se sua banca for honesta e, se o seu leitor for exigente, você será visto como alguém relaxado que não respeita nem a banca e nem o leitor.
Parodiando a famosa frase: “Escrever é preciso, revisar TAMBÉM é preciso”.

Aiiii, que azia nos olhos!!

Todo mundo que escreve um texto acadêmico busca a publicação dele. Seja um TCC, um artigo, uma monografia, uma dissertação ou uma tese, a publicação é a meta. Imaginem publicar um texto cheio de “erros de português”? Isso tira a credibilidade do texto e, principalmente, do autor do texto. Na carona dessa “incredibilidade”, também vai o orientador, que, mesmo cheio de tarefas, orientando vinte ou trinta ao mesmo tempo, acaba, também, levando a culpa pela produção mal escrita.

Há bancas que não perdoam e sentam o sarrafo no texto mal escrito. Ler um texto assim é sentir a legítima “azia nos olhos”, faz até mal para o leitor, que se sente incomodado. Mesmo não entendendo tanto de gramática, qualquer leitor está apto a se incomodar muito com um texto mal escrito, seja porque não consegue compreendê-lo, seja porque o cérebro se incomoda em ver palavras escritas numa ortografia errada ou frases que não fazem o mínimo sentido.

A revisão textual serve justamente para resolver esses problemas e deixar seu texto “descendo redondo”, sem dar azia aos olhos de quem lê.

Revisão é investimento, inclusive, na sua carreira como escritor, pois, quem lança qualquer coisa, demonstra que É qualquer coisa.